Receber por Pix e maquininha no CNPJ do MEI: o que muda
Como o MEI recebe por Pix e maquininha no CNPJ: chave Pix da empresa, quando o banco pode cobrar tarifa, taxa e prazo do cartão e por que separar do CPF.
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Receber por Pix e maquininha no CNPJ do MEI deixa as vendas separadas do dinheiro pessoal e facilita o relatório mensal e a declaração anual. Para isso, você abre uma conta em nome do CNPJ, cadastra a chave Pix da empresa e liga a maquininha a essa conta. O que muda são as tarifas possíveis e o prazo em que o dinheiro do cartão cai.
Conta no CNPJ: o ponto de partida
Com o CNPJ do MEI ativo e o CCMEI em mãos, você pode abrir uma conta de pessoa jurídica em banco ou em instituição de pagamento autorizada pelo Banco Central. Os documentos pedidos costumam ser o CCMEI, documento com foto e comprovante de endereço, mas cada instituição define a lista.
Antes de escolher onde abrir, compare:
- tarifa mensal do pacote, se houver;
- quantas transferências e boletos estão incluídos;
- custo para receber Pix de vendas;
- se a instituição oferece extrato fácil de baixar, que ajuda no controle do mês.
Não existe instituição certa para todo mundo. Leia a tabela de tarifas antes de assinar.
Chave Pix no CNPJ
Na conta da empresa, você pode cadastrar o próprio número do CNPJ como chave Pix, além de e-mail, telefone ou chave aleatória. Usar o CNPJ como chave ajuda o cliente a conferir que está pagando a empresa certa, porque aparece o nome empresarial na confirmação.
Algumas dicas práticas:
- deixe a chave do CNPJ impressa no balcão ou no cartão de visita;
- confira, antes de entregar a mercadoria, se o Pix caiu de fato (comprovante enviado por mensagem pode ser falso);
- use o QR Code gerado pelo app da conta quando quiser que o valor já venha preenchido.
Quando o banco pode cobrar tarifa de Pix
A Resolução BCB 19/2020 trata a pessoa física e o empresário individual, categoria em que o MEI se encaixa, do mesmo jeito em parte das operações. Em resumo:
| Operação no Pix | Pode cobrar tarifa do MEI? |
|---|---|
| Enviar Pix (transferência ou compra) pelos canais digitais | Não |
| Receber Pix de transferência | Não |
| Receber Pix com finalidade de compra (pagamento de venda) | Pode |
Ou seja: quando o cliente paga uma venda, a instituição pode cobrar, desde que a tarifa esteja no contrato e na tabela. Atendimento presencial ou por telefone também pode ter cobrança no envio. Pergunte isso antes de abrir a conta e guarde a tabela.
As regras do Pix estão na página do Banco Central sobre o sistema, que é onde vale conferir mudanças.
Maquininha: taxa e prazo
A maquininha de cartão cobra uma taxa sobre cada venda, chamada de taxa de desconto (ou MDR). Ela costuma ser diferente para débito, crédito à vista e crédito parcelado. Além da taxa, observe:
- prazo de recebimento: em geral o débito cai mais rápido e o crédito demora mais, conforme o contrato;
- antecipação: receber o crédito antes do prazo tem custo extra, como um empréstimo;
- aluguel ou compra do aparelho: compare o custo total no ano, não só o preço da máquina;
- conta de destino: configure para o dinheiro cair na conta do CNPJ.
Exemplo de quanto sobra de uma venda
Imagine uma venda de R$ 200 no crédito à vista, com taxa hipotética de 4%.
Conta: R$ 200 × 4% = R$ 8. Cai na conta: R$ 200 - R$ 8 = R$ 192.
No relatório mensal, a receita é R$ 200, não R$ 192. Os R$ 8 são custo do negócio e entram nas saídas do seu fluxo de caixa. Se você antecipar esse valor, o custo da antecipação também é saída.
Esse custo precisa estar dentro do preço. O guia de como calcular o preço de venda mostra onde ele entra.
Por que não usar a conta do CPF para vender
Receber tudo no CPF parece mais simples, mas cria problemas:
- fica difícil separar o que é venda do que é presente, salário de outro emprego ou ajuda da família;
- o relatório mensal vira adivinhação;
- você perde a noção de quanto o negócio dá de lucro de verdade;
- o dinheiro da empresa some nas contas de casa sem você perceber.
Os bancos repassam informações de movimentação à Receita Federal conforme regras próprias. Ter as vendas organizadas no CNPJ, batendo com o relatório e a declaração, é a forma mais tranquila de mostrar de onde vem o dinheiro, se um dia for preciso.
O passo seguinte é combinar uma transferência fixa da conta da empresa para a sua, como "salário do dono". Veja o método no guia sobre separar o dinheiro do MEI do dinheiro de casa.
Pix, cartão e nota fiscal
A forma de pagamento não muda a obrigação de nota. Se o cliente tem CNPJ, a nota é obrigatória, pague ele em Pix, cartão, boleto ou dinheiro. Se é pessoa física, a nota continua dispensada. Detalhes no guia sobre quando o MEI emite nota.
Uma vantagem prática: o extrato da conta do CNPJ e o relatório da maquininha ajudam a conferir se nenhuma venda ficou fora do relatório mensal.
Cuidados contra golpe
- Não aceite "comprovante" de Pix por foto sem ver o dinheiro na conta.
- Desconfie de quem pede para devolver um Pix "feito por engano": confira no extrato e use o botão de devolução do próprio app.
- Não passe código de segurança nem senha por mensagem, nem para quem diz ser do banco.
Próximos passos
- Compare hoje a tabela de tarifas de duas ou três instituições antes de abrir a conta no CNPJ.
- Cadastre o CNPJ como chave Pix e deixe a chave visível para os clientes.
- Confira no contrato da maquininha a taxa de cada modalidade e o prazo de recebimento.
- Configure a maquininha para depositar na conta do CNPJ.
- No fim do mês, compare extrato e relatório de vendas para ver se nada ficou de fora.
Perguntas frequentes
O banco pode cobrar tarifa de Pix do MEI?
Posso receber as vendas no Pix do meu CPF?
Vender no cartão ou no Pix muda o faturamento do MEI?
De onde vêm as informações
Números do dia
Ver no Banco CentralNão foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.
Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.
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