Como calcular o preço de venda sem trabalhar de graça
Passo a passo para o MEI formar preço com custo direto, despesas fixas, DAS, taxas e o valor do próprio trabalho, com exemplo de produto e de serviço.
Neste artigo (10)
Para calcular o preço de venda sem trabalhar de graça, some o custo direto de cada produto ou serviço, acrescente a parte das despesas fixas do mês (incluindo o DAS e a sua retirada), cubra as taxas que incidem sobre a venda e, por fim, uma margem de sobra. Se o resultado ficar muito acima do que o cliente paga, o problema está no custo ou no volume, não na conta.
As quatro peças do preço
Todo preço saudável tem quatro partes:
- Custo direto: o que vai em cada unidade vendida (ingrediente, embalagem, peça, material).
- Rateio das despesas fixas: a fatia de cada venda nas contas que chegam todo mês, vendendo ou não (DAS, aluguel, internet, sua retirada).
- Custos sobre a venda: o que é cobrado em porcentagem do preço, como a taxa da maquininha ou a comissão de um aplicativo de entrega.
- Margem: a sobra que vai formar reserva e permitir crescer.
O DAS do MEI é fixo por mês, e por isso fica na peça 2, não na peça 3. O valor é atualizado todo ano; confira o vigente no Portal do Empreendedor.
Passo 1: custo direto por unidade
Liste tudo o que vai em uma unidade. Se você compra em pacote, divida.
Exemplo: um pacote de 100 embalagens custa R$ 50. Cada embalagem custa R$ 50 ÷ 100 = R$ 0,50.
Não esqueça os itens pequenos: gás, linha, etiqueta, sacola, frete do fornecedor dividido pelo pedido.
Passo 2: despesas fixas e o seu trabalho
Some as contas do mês que não dependem de quanto você vende. Inclua a sua retirada, porque você também é um custo. Se não souber quanto tirar, o guia sobre quanto o MEI pode retirar ajuda a definir.
Depois, divida pelo número de unidades que você espera vender no mês (ou de horas que espera trabalhar, no caso de serviço). Seja realista: use a média dos últimos meses, não o mês recorde.
Passo 3: custos que são porcentagem da venda
Taxa de maquininha, comissão de plataforma e outros custos em percentual não podem ser simplesmente somados, porque crescem junto com o preço. A forma correta é dividir:
preço = (custo direto + rateio fixo) ÷ (1 - percentuais da venda - margem)
Parece difícil, mas o exemplo abaixo mostra que é só uma divisão.
Exemplo com produto: bolo de pote
Imagine uma MEI que faz bolo de pote, com números hipotéticos:
- custo direto por pote: R$ 4 (massa, recheio, pote, colher, etiqueta);
- despesas fixas do mês: R$ 2.500 (DAS, gás, parte da energia, transporte e a retirada dela);
- vendas esperadas: 500 potes por mês;
- taxa média de maquininha: 3%;
- margem desejada: 10%.
Rateio fixo por pote: R$ 2.500 ÷ 500 = R$ 5.
Custo por pote antes dos percentuais: R$ 4 + R$ 5 = R$ 9.
Preço: R$ 9 ÷ (1 - 0,03 - 0,10) = R$ 9 ÷ 0,87 ≈ R$ 10,34.
Ela arredonda para R$ 10,50. Se o bairro só aceita pagar R$ 8, a conta mostra que não adianta só baixar o preço: ela precisaria vender mais potes por mês (para diluir o fixo), cortar custo ou mudar o produto.
Exemplo com serviço: diarista
No serviço, a conta é por hora ou por diária. Imagine uma diarista MEI:
- material por diária (produtos que ela leva): R$ 15;
- despesas fixas do mês: R$ 2.400 (DAS, transporte, celular, retirada);
- diárias por mês: 20;
- recebe por Pix, sem taxa de venda;
- margem: 10%.
Rateio fixo por diária: R$ 2.400 ÷ 20 = R$ 120.
Custo por diária: R$ 15 + R$ 120 = R$ 135.
Preço: R$ 135 ÷ (1 - 0,10) = R$ 135 ÷ 0,90 = R$ 150.
Repare que a maior parte do preço é o rateio, onde está a retirada dela. Se ela cobrasse só "o material e um pouquinho", estaria trabalhando de graça.
| Peça do preço | Bolo de pote | Diária |
|---|---|---|
| Custo direto | R$ 4,00 | R$ 15 |
| Rateio fixo | R$ 5,00 | R$ 120 |
| Percentuais e margem | R$ 1,34 | R$ 15 |
| Preço calculado | R$ 10,34 | R$ 150 |
Confira com o mercado, mas nessa ordem
Depois de ter o seu preço, compare com o que se cobra na região. Três cenários:
- seu preço está abaixo do mercado: você pode estar deixando dinheiro na mesa, ou tem uma vantagem de custo. Avalie subir aos poucos;
- está parecido: siga, e revise quando os custos mudarem;
- está bem acima: reveja custo, volume e o que você oferece de diferente. Às vezes vale vender menos itens com mais qualidade.
O Sebrae tem conteúdos e cursos gratuitos de formação de preço que ajudam a aprofundar essa análise.
E quando há desconto ou promoção?
Antes de dar desconto, refaça a conta com o preço menor. Se o novo preço não cobre custo direto e rateio, cada venda da promoção tira dinheiro do caixa. Promoção só faz sentido quando aumenta o volume o bastante para diluir o fixo, ou para desovar estoque parado que já virou prejuízo.
Erros que fazem o MEI trabalhar de graça
- Esquecer de incluir a própria retirada.
- Usar o mês recorde como volume esperado.
- Somar a taxa da maquininha em reais fixos, em vez de tratar como percentual.
- Dar desconto em cima de um preço que já não tinha margem.
- Não reajustar quando o fornecedor aumenta.
Quem acompanha o fluxo de caixa percebe rápido quando o preço ficou defasado: as vendas continuam, mas o dinheiro some.
Próximos passos
- Escolha o produto ou serviço que você mais vende e liste o custo direto de uma unidade.
- Some suas despesas fixas do mês, incluindo a sua retirada e o DAS.
- Faça a conta do preço com a fórmula da divisão e compare com o que cobra hoje.
- Anote os preços de três concorrentes da região.
- Marque uma revisão de preços para daqui a seis meses.
Perguntas frequentes
Posso copiar o preço do concorrente?
O DAS entra no preço como porcentagem?
Como incluir o meu trabalho no preço?
De quanto em quanto tempo devo rever o preço?
De onde vêm as informações
Números do dia
Ver no Banco CentralNão foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.
Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.
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